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31 Mar 2019 20:13
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<p>A entrevista que segue, publicada pela edi&ccedil;&atilde;o n&ordm; 172 da revista Cahiers du cin&eacute;ma (novembro de 1965), toca em novas quest&otilde;es que ainda hoje nos parecem relevantes. A primeira delas envolve o que, no mesmo per&iacute;odo, Pier Paolo Pasolini denominou “cinema de poesia”. Outra pergunta diz respeito &agrave; &ecirc;nfase desmedida no longa-metragem de fic&ccedil;&atilde;o.</p>

<p>Em seu livro mais recente, The Cinema of Poetry, P. Adams Sitney enfatizou o quanto Pasolini ignorava em seu texto toda uma tradi&ccedil;&atilde;o do cinema experimental. Sitney nos lembra que neste momento em 1953 Maya Deren propunha discuss&otilde;es sobre “cinema e poesia”, e que a primeira cria&ccedil;&atilde;o de cineastas independentes que foram por ela influenciados (Stan Brakhage, Gregory Markopoulos, Jonas Mekas) levaram adiante estas preocupa&ccedil;&otilde;es. Pontif&iacute;cia Escola Cat&oacute;lica De S&atilde;o Paulo linhas mais f&eacute;rteis do cinema nos &uacute;ltimos anos parecem situadas justamente na interse&ccedil;&atilde;o entre estas abordagens.</p>

<p>&Eacute; com um cineasta, &Eacute;ric Rohmer, que quer&iacute;amos h&aacute; bastante tempo discutir. Por&eacute;m para n&oacute;s, F&eacute;rias Escolares Ou F&eacute;rias De Filhos? , trata-se antes de devolver a &Eacute;ric Rohmer uma express&atilde;o que, mesmo abortada pela ocasi&atilde;o do abandono de uma forma de escrita por outra, jamais deixou de nos guiar. ], ele n&atilde;o nos deu no celuloide tuas melhores considera&ccedil;&otilde;es? &Eacute;ric Rohmer - Admiro que Pasolini possa digitar este tipo de coisa sem deixar de fazer videos.</p>

<p>O defeito da linguagem cinematogr&aacute;fica me interessa muito, apesar desta charada amea&ccedil;ar desviar do respectivo servi&ccedil;o de fabrica&ccedil;&atilde;o e de eu n&atilde;o saber se &eacute; um defeito justificado ou incerto. Como esse dificuldade &eacute; extremamente abstrato, ele exige a ado&ccedil;&atilde;o de uma atua&ccedil;&atilde;o frente ao cinema que n&atilde;o &eacute; nem ao menos a do autor, nem tampouco a do espectador. Ela nos interdita de gozar do entusiasmo que a vis&atilde;o do v&iacute;deo proporciona. Dito isso, estou de acordo com Pasolini quanto ao caso de que a linguagem cinematogr&aacute;fica &eacute; na verdade um tipo.</p>

<p>N&atilde;o existe uma gram&aacute;tica cinematogr&aacute;fica, no entanto antes uma ret&oacute;rica que, al&eacute;m do mais, por uma por&ccedil;&atilde;o &eacute; muito desprovido e por outra muito mut&aacute;vel. &Eacute;ric Rohmer - Deste ponto, estou em completo desacordo com Pasolini. N&atilde;o creio que o cinema moderno seja obrigatoriamente um cinema no qual se deva perceber a c&acirc;mera.</p>

<p>Acontece que na atualidade existem muitos videos nos quais se sente a c&acirc;mera, e antes assim como houve diversos, no entanto n&atilde;o creio que a distin&ccedil;&atilde;o entre o cinema moderno e o cinemacl&aacute;ssico possa residir nesta afirmativa. N&atilde;o penso que o cinema moderno seja exclusivamente um “cinema de poesia” e que o cinema antigo seja s&oacute; de prosa ou de narrativa. Para mim, existe uma maneira de cinema de prosa e de cinema “romanesco”, onde a poesia est&aacute; presente, no entanto sem ser buscada de antem&atilde;o: aparece por aumento, sem que seja solicitada expressamente.</p>

<p>N&atilde;o sei se O Que Faz O Brasil Ter A Superior Popula&ccedil;&atilde;o De Dom&eacute;sticas Do Mundo conseguir me explicar sobre este ponto, na quantidade em que isto me obrigaria a julgar os videos dos meus contempor&acirc;neos, o que me nego a fazer. Quanto &agrave;queles os quais n&atilde;o digo que prefiro a estes, contudo que me parecem mais pr&oacute;ximos daquilo que eu mesmo procuro, quem s&atilde;o? Cineastas em que se nota a c&acirc;mera, entretanto onde isto n&atilde;o &eacute; o importante: &eacute; a coisa filmada que tem umamaior exist&ecirc;ncia aut&ocirc;noma.</p>
<ul>

<li>Quatro Estude focos mais frequentes de Certo Penal</li>

<li>33- “T&atilde;o pouco” / “Tampouco”</li>

<li>83 18 &quot;Romance No Telefone&quot;</li>

<li>Engenharia Civil e Ambiental</li>

<li>Fa&ccedil;a pequenas pausas</li>

<li>Fun&ccedil;&otilde;es de 1&deg; e 2&deg; graus</li>

<li>Est&aacute; inteiramente correta a pontua&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo</li>

<li>Embarazada = gr&aacute;vida</li>

</ul>

<p>Em outras palavras, interessam-se por um universo que n&atilde;o &eacute; de antem&atilde;o um universo cinematogr&aacute;fico. S&atilde;o cineastas que rodaram poucos filmes, e os quais n&atilde;o entendo se n&atilde;o mudar&atilde;o, se n&atilde;o passar&atilde;o para o outro lado. &Eacute;ric Rohmer - Uma coisa n&atilde;o exclui a outra. Todavia, pontualmente, eu fiz estas reflex&otilde;es logo ap&oacute;s a vis&atilde;o de Bande &agrave; part: o modelo de voc&ecirc;s &eacute; ruim.</p>

<p>Bande &agrave; part &eacute; um video extremamente comovente, onde Godard nos emociona; mas n&atilde;o s&atilde;o as personagens que nos emocionam, em absoluto. &Eacute;ric Rohmer - Nos videos que cito as protagonistas n&atilde;o s&atilde;o fundamentos. E, ademais, isto n&atilde;o prova nada. Falo em meu nome, e digo que sinto mais afinidades com certos cineastas, no final das contas que me separa deles em outros planos.</p>

<p>Tenho a impress&atilde;o de que, cada vez mais, minha busca se orienta neste sentido, e reivindico a modernidade da coisa. Um cinema onde a c&acirc;mera &eacute; invis&iacute;vel poder&aacute; ser um cinema moderno. O que eu gostaria de fazer &eacute; um cinema de c&acirc;mera absolutamente invis&iacute;vel. Sempre &eacute; poss&iacute;vel tornar a c&acirc;mera menos percept&iacute;vel. H&aacute; muito servi&ccedil;o (ainda) a se fazer neste dom&iacute;nio. Moderno &eacute;, por sinal, uma palavra um pouco gasta.</p>

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